terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Xamanismo Celta.

Morríghan
       Quem de nós, pagãos, não ouviu ao menos uma vez falar de deuses e heróis como Merlin, Cerridwen, Morríghan, Arthur e outros tantos exemplos da Mitologia Celta? Quem de nós consegue resistir ao Apelo Mágico das lendas e mitos que envolvem esses deuses e heróis? E quantos de nós, ao lermos esses mitos e lendas, conseguimos realmente compreender a sutileza das magníficas lições e ensinamentos neles contidas?


Essa não é uma tarefa fácil. A linguagem dos mitos e lendas ancestrais é por vezes muito truncada, posto que cheia de simbolismo. Ademais, os mitos e lendas pertencem a outras civilizações, que viveram em outros tempos, e certamente sua visão do mundo é muito diferente da nossa. Mas, como sempre digo as lendas não são somente estórias, elas contam a história de um povo. E para compreendê-las, temos que encará-las como vivas - e nenhuma outra tradição apresenta as lendas de forma mais viva do que o Xamanismo.
Os preceitos básicos do Xamanismo - conhecer e reintegrar-se aos ciclos da Natureza, acessar suas manifestações e buscar através dessa compreensão a evolução - são os mesmos desde há milhares de anos, e hoje mais e mais pessoas procuram conhecer as técnicas e ensinamentos do xamanismo como caminho espiritual que supra a carência de contato com o Princípio Criador da Terra Viva. Apesar de normalmente associado aos povos indígenas norte-americanos, o termo "Xamã" na verdade é de origem siberiana, e designa o "sacerdote" ou mensageiro que acessa as energias e seres do mundo sutil. No entanto, praticamente todas as culturas ancestrais possuem elementos xamânicos em suas filosofias e religiões. Além das já citadas tribos primitivas da Sibéria e dos nativos norte-americanos, encontramos traços xamânicos entre os bosquímanos africanos, os aborígines australianos, os povos pré-cabralianos do Brasil e, obviamente, entre os antigos Celtas. E é justamente sobre essa forma de Xamanismo que iremos falar.

A cultura Celta é provavelmente a que mais exerce influência no Movimento Neo-Pagão atual. Além do fascínio causado pelos mitos e lendas celtas, seus deuses e deusas, seu calendário e seus rituais mágicos são amplamente utilizados pelas tradições Neo-Pagãs. Contudo, apesar dos fortes elementos xamânicos existentes na religião dos Celtas, pouca atenção é dada aos aspectos práticos dessa tradição. Muita atenção tem sido dada às datas do Calendário e às deidades, mas raramente o tema Xamanismo Celta é abordado com profundidade, seja aqui no Brasil ou no exterior.
Trata-se, contudo, de um caminho, de uma corrente, muito forte e significativa. Através do Xamanismo Celta, podemos realmente compreender os mitos e lendas celtas, seu real significado, bem como a verdadeira natureza de deusas e deuses, heroínas e heróis da Irlanda, Gália e Grã-Bretanha. O Xamanismo Celta, por sua abordagem completa e complexa, mas simples e direta, possibilita um REAL entendimento da roda do ano e de seu significado.

     Atualmente, o escritor e mitólogo inglês John Matthews é o maior expoente do Xamanismo Celta. Num trabalho sério e responsável, rico em fundamentos acadêmicos, ele oferece uma visão clara e prática, mas igualmente profunda, do que é o Xamanismo Celta. Trata-se de um Caminho que, ao unir a magia do Xamanismo ao vigor da cultura Celta, cria uma alternativa válida e ao mesmo tempo fascinante para a Busca pelo desenvolvimento pessoal e por um mundo melhor. O Universo do Xamã Celta.

Um dos mais originais e belos pontos do Xamanismo Celta é a sua cosmovisão, ou seja, o modo como o universo é descrito. Esta cosmovisão compartilha elementos com muitas outras religiões de origem indo-européia (Celtas, nórdicos, etc.), como a divisão do Universo em três esferas, a existência de uma árvore sagrada que liga essas esferas, e por aí vai. No caso específico do conhecimento oferecido pelo Xamanismo Celta, o Cosmo é dividido em três: O Mundo Superior, O Mundo Médio e o Mundo Inferior. Interligando esses três planos, temos uma árvore, Bíle, a árvore da vida ou YggDrassil.

Erguendo seus galhos rumo aos céus, e lançando suas raízes nas profundezas da terra, a árvore é o verdadeiro Axis Mundi, o Eixo do Mundo, que funciona como ponte entre todos os planos do Universo. Ao redor de seus galhos, órbita o Sol e a Lua, determinando assim a passagem do tempo e das estações, tão importantes para a religião celta (como atesta a Roda do Ano). Em seus galhos temos o Mundo Superior: ao contrário do que se possa imaginar, o Mundo Superior não está hierarquicamente acima dos demais, é apenas "geograficamente" superior. É aqui que encontramos as estrelas e os corpos celestes, que lançam sua influência sobre nós. O Mundo Superior envolve e é envolvido pela copa da Árvore e seus galhos e ramos. O Mundo Médio é o nosso mundo, nossa dimensão. É nossa morada. Para o xamã celta, este é o ponto de partida. A partir daqui, podemos nos deslocar para cima (Mundo Superior) ou para baixo (Mundo Inferior), e assim interagir com as criaturas, deuses, animais totêmicos, espíritos da Natureza - que neles habitam. No Mundo Médio do Xamanismo Celta podemos perceber claramente os elementos da magia _ O Mundo Médio é representado por um círculo ao redor do tronco da árvore, onde temos as quatro direções (ou Quatro Ventos) Norte, Sul, Leste e Oeste, que por sua vez estão associadas aos quatro elementos. O quinto é a própria Árvore, essência e símbolo da Vida, à qual o Xamã Celta se funde em sua Jornada.

Por fim, temos o Mundo Inferior. Novamente, não se trata de uma inferioridade hierárquica ou de importância, pelo contrário, pois o Mundo Inferior é a morada dos deuses do submundo. Ou seja, é aqui que entramos em contato com os Poderes da Terra, suas forças e energias. No Mundo Inferior (por vezes chamado de Submundo, novamente sem nenhuma conotação negativa) existe uma nascente, de onde surgem os Sete Rios Da Vida. A Água sempre foi um símbolo da origem da vida - muito antes da ciência apresentar suas teorias de que a vida teria surgido das águas primordiais, as mitologias do mundo já viam mares, oceanos, rios e nascentes como fontes de vida e energia. Por esses sete rios transitam os animais totêmicos e animais de poder do mundo do Xamanismo Celta. Essa divisão do universo em três planos é clara, porém um plano está intimamente ligado ao outro.
 

 Como podemos perceber na mitologia celta, o Mundo Superior e o Inferior se confundem, e por vezes ambos são chamados de Outro Mundo, em contraste com o nosso Mundo, o Mundo Médio. E mesmo esta separação não é definitiva, pois em determinados momentos esses mundos se tocam e se fundem - como no festival de Samhain, onde se rompem temporariamente as barreiras já tênues que separam o Outro Mundo de nosso Mundo. O mais interessante, porém, é que essa visão abarca todo o Universo e, no entanto, nas tradições irlandesas, o Universo é do tamanho de uma avelã... Uma clara referência à visão celta do microcosmo contido no macrocosmo. Toda a vastidão do Universo cabe dentro de uma pequena avelã... Logo a avelã, símbolo máximo do conhecimento na tradição celta!
O simbolismo é claro: a avelã é o conhecimento - e é também o universo. Se eu conheço o universo, conheço tudo! E se conheço tudo, conheço os deuses e deusas, as criaturas e, principalmente, conheço a mim mesmo!

Assim, com essa visão de três mundos interligados por uma Árvore (a própria Vida), o Xamã Celta pode começar sua jornada pelos diferentes Planos. Pode ir ao Mundo Superior, para buscar iluminação e cura, pode descer ao Inferior, para conhecer os mistérios da Natureza e sempre deve retornar, para por em prática o seu trabalho e seu aprendizado, diante de Deuses, Deusas, Animais E Mestres. Certamente o Xamã Celta não embarca em sua Jornada apenas para satisfazer sua curiosidade ou sede de poder. Na verdade, o que todo Xamã busca é o Conhecimento, mas mais ainda, a Sabedoria para usar esse conhecimento de modo correto. Todo Xamã é um aprendiz, mas é também um mestre. Mas mais do que isso, o verdadeiro Xamã é aquele que intermedia entre nosso mundo e o mundo dos Deuses. É o responsável pela cura, pessoal, individual e coletiva. Ao Xamã cabe, ao obter Conhecimento e Sabedoria no Outro Mundo, utilizá-los aqui para o bem da terra e do clã. O Xamanismo Celta é um poderoso instrumento para conhecer os deuses, curar a terra e criar um mundo melhor.




domingo, 19 de fevereiro de 2012

A SOBREVIVÊNCIA XAMÂNICA

                                                         


                                     
       O Shaman é uma figuras das mais antiga e uma das mais  marcantes na história da evolução humana. O xamanismo é a fonte de tanto magia como religião, e como Mircea Eliade expõe, é "uma técnica arcaica de êxtase". Seus elementos estruturais pode ser rastreada bem como de volta para o Paleolítico Superior, e esses elementos são essencialmente semelhantes em todas as culturas diferentes, em quadros de tempo diferentes. Mesmo que os detalhes da superfície do visão xamânica  de mundo tende a ser diferente mesmo dentro culturas peculiares, os princípios fundamentais permanecem semelhantes, fornecendo algum requisito elementar da psique humana que se manteve constante ao longo de um período de centenas de milhares de anos.
       Xamanismo mostra uma sobrevivência notável, e existem muitos exemplos de xamãs co-existentes com outros sistemas religiosos ou mágicos em hoje em dia. A maioria dos curandeiros do mundo são os xamãs, por exemplo. Medida que as sociedades evoluem para formas mais complexas do que a do caçador-coletor, os papéis que os satisfaz xamã é tomada por outros. Do xamanismo surgiu teatro, religião, magia, arte, dança, música e talvez até mesmo escrever e linguagem. Traços do xamanismo permanece, nos costumes, folclore e mito - deferência para aqueles que podem manipular as forças ocultas do mundo como trapaceiros e curandeiros. Os ocidentais estão cada vez mais voltando-se para o xamanismo em uma busca para revitalizar e reintegrar-se em uma visão de mundo que está além do que o oferecido por nossa cultura.



       Até recentemente, o interesse em xamanismo foi limitada aos pesquisando em etnologia e antropologia, e psicanalistas, como Carl Gustav Jung. Agora parece que o xamanismo é subitamente muito popular. Os gerentes de negócios são enviados para cursos de fim de semana, enquanto a sabedoria acumulada de muitos povos tribais está sendo avidamente devorado por pessoas que estão ansiosas para entrar em contato com a sabedoria antiga e um ter um sentimento de pertença. Escritores como Carlos Castañeda e Lynn Andrews fizeram xamanismo acessível e popular.

As origens do xamanismo
As raízes do xamanismo estão perdidas na antiguidade. No entanto, sabemos, que, dadas as semelhanças entre as práticas xamânicas no novo mundo e da Europa, que os elementos fundamentais de xamanismo foram estabelecidos como o primeiro Paleo-americanos começaram a se mover através do estreito de Bering que ligava a Sibéria ao Alasca. Esta ponte desapareceram cerca de 12.000 anos atrás, como as geleiras do Ártico derreteu.

domingo, 29 de janeiro de 2012


                                            Lammas ou Lughnasad




O Lammas é o sabá que comemora a chegada das primeiras colheitas, juntamente com a chegada do outono. Será dia 2 de fevereiro. Marca, portanto, a chegada dos primeiros frutos da Mãe-Terra que alimentarão os homens, bem como a transição do Deus-Sol para o papel de protetor e provedor. Convém lembrar que o termo Lammas já é um nome um tanto moderno (e mesmo cristianizado) para esse sabá, motivo pelo qual pode-se dizer que ele foi antes absorvido do que anulado ou sincretizado, mantendo-se vivo entre a cristandade na forma de inúmeros festivais de colheita, em todo o mundo ocidental.

Entre os celtas insulares, porém, era conhecido e celebrado como Lughnasadh. Este festival era dedicado ao deus Lugh, deus guerreiro associado ao sol, que teria tido importância decisiva na vitória dos Thuatha De Dannan sobre os Fomorianos (duas tribos míticas que haveriam povoado a Irlanda). Uma das lendas associadas a Lugh conta que ele teria poupado a vida do chefe inimigo Bres, em troca do segredo de arar a terra, semear e colher. Eis aqui, portanto, uma referência direta à agricultura neste festival, mesmo em sua forma mais ancestral.

Aliás, pesquisadores independentes como Louis Charpentier e Juan G. Atienza, no que pesem as críticas que podem ser feitas a um certo diletantismo de seus trabalhos, apontam interessantes paralelos entre a figura de Lugh e numerosas divindades ou "heróis" civilizadores, como, por exemplo, o egípcio Osíris ou o grego Héracles. Esses autores nos mostram toda uma série de similaridades entre essas divindades solares e sugerem uma ligação destas a uma suposta raça de "contrutores de megalitos" que teriam trazido as técnicas da agricultura à Europa Ocidental. A levar-se em consideração tais hipóteses, não de todo absurdas, teríamos uma forte razão para que este festival fosse um dos que subsistiram mais fortemente nas tradições populares.

Uma outra tradição ligada ao Lammas era o costume de se atear fogo a uma roda de madeira e fazê-la rolar colina abaixo. Essa prática representava a descida do sol, o encurtamento progressivo dos dias, significando que o Deus entrava em sua fase de decadência.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

BRUXARIA UM CAMINHO COM CORAÇÃO


                                                               
         A Bruxaria possui uma forte tradição mágica e, contrariando o preconceito da sociedade em relação à magia, não cultiva entidades negativas nem utiliza de sacrifícios para atingir o poder. Cultua uma Deusa Mãe como princípio universal, cuja contraparte masculina é o Deus dos animais, das florestas e das energias positivas. Trabalhando com energia que nos faz crescer a cada momento de nossa vida, a Bruxaria busca o amor à vida na Natureza, nossa fonte de força e sabedoria. Ela nos mostra que a Magia encontra-se adormecida dentro de cada um e nos ajuda a acordar, desenvolver e ampliar essa energia. Nesse sentido nos auxilia na criação da atmosfera propícia à manifestação desse poder, ora latente, com toda a sua força.
        Os praticantes da Arte são os mais variados e iniciam seu caminho ao receber em seu interior um chamado que nem sempre é compreendido de imediato. Um dos pontos relevantes de nossa crença é a não distinção de idade, posição social, raça ou sexo. Até porque, ao contrário de rótulos sócio-culturais, o que nos mantém unidos no caminho é a total liberdade para nos reencontrarmos em harmonia com a Terra e a Natureza. Cultivamos a alegria e a satisfação de nos encontrarmos vivos, de realmente ser e sentir nossa individualidade, buscando trabalhar para criar uma maior responsabilidade tanto social como ambiental. Isso acontece porque acreditamos que todas as coisas possuem seu lugar e sua função. Devemos, por isso, buscar viver essa harmonia não só em nossa vida pessoal, mas também na Natureza e na sociedade que nos cerca.
       Cultuamos sim aos Deuses, mas buscamos respeitar acima de tudo, os caminhos escolhidos pelos outros, mesmo que tais pessoas, na maioria das vezes, não respeitem os nossos. Diferente de outras culturas religiosas não saímos em busca de novos adeptos para a nossa crença. Mesmo assim a Bruxaria cresce a cada dia, principalmente pela busca que o ser humano faz na caminhada pela estrada da vida. Não vai escutar em momento algum uma Bruxa dizer que “a Bruxaria é o único caminho verdadeiro”. Todos os caminhos levam - ou deviam levar - a uma elevação espiritual. O diferencial é que a Bruxaria nos dá algo que, em geral, não encontramos em outras crenças: LIBERDADE DE AGIR. Por isso, a Bruxaria se pauta pela liberdade de alegria e felicidade em nossos rituais, sem que isso acarrete alguma espécie de represália por parte dos Deuses. Nossa única restrição diz respeito a não prejudicar ou interferir no livre arbítrio de qualquer pessoa, ou como diz a Lei Tríplice: “Tudo o que fizeres, retornará triplicado para você”.
       Para falar sobre a origem da Bruxaria, devemos voltar no tempo, aos primórdios da Humanidade. Segundo historiadores, temos nas Madonas Negras, encontradas em cavernas do período neolítico, datadas com aproximadamente 25 mil anos, indicações onde as Deusas da Fertilidade eram objetos de adoração dos povos primitivos. No início da consciência humana, a mulher ao dar a luz a uma vida com o nascimento de uma criança, gerou a ideia de uma Grande Mãe que teria gerado todo o Universo. Criou-se, assim, dentro da própria natureza, a ligação dos fenômenos naturais como manifestações do divino, onde os Deuses nasceram na própria concepção do ser humano. Nos povos que buscavam na agricultura sua forma de sobrevivência, foram designados Deuses que comandavam cada uma das estações do ano, onde, até os dias de hoje, dentro da nossa cultura, são celebrados a cada solstício e equinócio.
       Nas sociedades que tinham na caça seu sustento, surgiu o culto ao Deus dos Animais e da Fertilidade, também conhecido como Deus de Chifres ou Cornífero. Desde os tempos antigos, os chifres sempre tiveram a representação da fertilidade, da coragem e a ligação com o espírito dos animais, que eram caçados somente para o devido sustento e sobrevivência do grupo. O mais interessante é que a Bruxaria surgiu de maneira quase simultânea em diferentes regiões da Europa. Existem, segundo pesquisadores, indícios do culto a uma Grande Mãe em locais hoje conhecidos como Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, sudoeste da Itália , Britânia e França. Mesmo já sendo antiga como conceito, a Bruxaria só veio a se firmar como um sistema a partir da invasão dos Celtas na Europa, quase mil anos antes da era cristã. Trouxeram com eles suas crenças que foram misturadas com as dos nativos, unindo seus Deuses aos já cultuados na região.

                                                            
     Os Celtas mantiveram a tradição viva em sua cultura, e, em função disso, dentro da Bruxaria, seu panteão (seus Deuses) são os mais utilizados. Isso não impede que se utilize a crença em outros panteões, como o Egípcio ou o Greco-Romano. Os Celtas possuíam um regime matrifocal, onde a mulher era respeitada como Sacerdotisa que tinha a última palavra em qualquer assunto, desde a criação dos filhos até as batalhas que porventura viessem acontecer. Sendo assim, o culto da Grande Mãe e do Deus Cornífero tiveram seu auge nas regiões da Europa dominadas até a chegada dos romanos.
      Mesmo após o domínio dos romanos na Europa, o culto à Grande Mãe manteve-se. Mas na idade média as coisas começaram a mudar. Como a Bruxaria encontrava-se bem definida em algumas culturas, não deixando, pela própria crença do povo, que a Igreja Católica se firmasse com maior poder, foi criada a Inquisição com o único objetivo de suprimir toda crença que não fosse a cristã. Começou assim um período negro na História, onde foram vítimas pessoas que tinham desde problemas de saúde a pessoas que possuíam fortunas que eram invejadas pelo clero. Isso fez com que os verdadeiros bruxos buscassem no anonimato uma forma de salvaguardar suas vidas e as de seus familiares. Os conhecimentos da Arte eram passados oralmente, os instrumentos utilizados eram incorporados nas artes do dia a dia, e assim muito da cultura se perdeu na longa caminhada do tempo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

                                                                        
                                                                     A RODA DO ANO


Os quatro outros festivais (Mabon, Yule, Ostara e Litha) - os Pequenos Sabás - parecem ser simplesmente um amálgama de diversas tradições de ritos equinociais e solsticiais, com elementos tirados de ritos nórdicos e de outras tribos bárbaras da antiga Europa, bem como de outras tradições não-européias, como a própria Páscoa judia. Como já citamos, festivais marcando os equinócios e solstícios são ritos cuja antiguidade é imensa, e são comuns a quase todas as sociedades agrícolas ao redor do mundo.

Para sermos exatos, é difícil precisar em que momento começa a haver uma sistematização desses festivais dentro da Wicca. No primeiro livro de Gardner, "Bruxaria Hoje", há referências aos sabás mais ou menos nos moldes das "reuniões de bruxas" descritas pela Inquisição, mas apenas uma breve alusão a uma cerimônia específica, em verdade um Yule, ao qual o autor teria assistido. Obras posteriores, no entanto, como o "Oito Sabás Para Bruxas", do casal Farrar, já trazem uma imagem acabada do que seriam essas cerimônias, o que reflete certamente a forma como as ideias de Gardner foram sendo consolidadas e outras fontes folclóricas foram incorporadas à doutrina, ao longo das décadas de 1960 e 1970, principalmente.

De qualquer maneira, vale ressaltar que, embora dentro da Wicca haja uma tentativa de resgate dos valores originais associados a essas cerimônias, elas não são, de forma alguma, estranhas ao nosso próprio calendário civil ou mesmo àquelas datas que, comumente, associamos à cristandade. Pelo contrário, tanto os sabás quanto as festas religiosas que se integraram à tradição cultural do Ocidente possuem uma base folclórica comum e significados semelhantes. O que ocorreu, na realidade, foi uma incorporação ou ainda uma "releitura" sob a ótica cristã, de datas, ritos e festividades "pagãs", como veremos a seguir.

 
                                                                      Litha, o Solstício de Verão
                                                                          
                                                                              21 de dezembro

            O dia mais longo do ano marca o auge do poderio do sol. Em Litha, o Deus atinge a maturidade e prenuncia o seu declínio, ao passo que a Deusa, grávida, assume a face da futura mãe. Como no solstício de inverno, o solstício de verão marca uma pausa, um momento de repouso entre as duas metades da Roda do Ano. Aqui, o período não é o repouso forçado pelo inverno, mas sim o repouso prazeroso do verão, o intervalo entre o plantio e a colheita. É de se notar que até hoje, se considerarmos os calendários escolares, teremos férias justamente nesses dois períodos (auge do inverno e auge do verão).

Segundo uma das tradições ligadas ao solstício de verão, esse seria o momento em que o Rei do Carvalho, aspecto do Deus que reinou durante a primeira metade do ano (a fase de crescimento, ou seja, do nascimento à maturidade), seria derrotado e substituído pelo Rei do Azevinho, que governará a outra metade (da maturidade à morte). Há aqui um interessante sincretismo apontado por Robert Graves, conforme citado por Stewart Farrar11: ocorrendo sempre em torno de 20 de junho, no hemisfério norte, a data deste sabá praticamente coincide com o Dia de São João Batista. É interessante notar que, segundo a mitologia cristã, João Batista, o feroz pregador, foi substituído em sua missão por "aquele que veio depois dele", ou seja, o sábio e manso Jesus. Eis aqui, portanto, uma assimilação ou um notável paralelo na doutrina cristã da derrota do impetuoso Rei do Carvalho pelo sábio Rei do Azevinho.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A RODA DO ANO


                                 

                                                                 OS SABÁS
       
                                                         O calendário dos Sabás

A Roda do Ano é marcada por oito pontos nodais, que reúnem os equinócios e solstícios (auge das estações) e os pontos de transição, ou início de cada uma das quatro estações do ano. Para uma compreensão melhor, vale dizer que o momento que atualmente, no calendário civil, é considerado como o início de cada uma das estações, corresponde realmente ao seu auge. Exemplificando, quando nos reportamos ao início da primavera, comumente, por volta do dia 20 de setembro, este é, na realidade, o equinócio de primavera, ou seja, quando a estação está plenamente estabelecida.

Dessa maneira, teríamos a seguinte ordem para os sabás:

Data               Nome do Sabá                          Ocasião
02/02            Lughnasad ou Lammas           início do outono
± 21/03          Mabon                                   equinócio (auge) do outono
01/05             Sanhaim                                 início do inverno
± 21/06          Yule                                       solstício (auge) do inverno
01/08             Imbolc                                  início da primavera
± 21/09          Ostara                                  equinócio (auge) da primavera
31/10              Beltane                                 início do verão
± 21/12           Litha                                      solstício (auge) do verão

Logo de início, é necessário ressaltar que a ordem que descrevi acima leva em consideração o suceder das estações no hemisfério sul. A maior parte dos livros de Wicca que encontramos no mercado se baseia no hemisfério norte, uma vez que são escritos por autores americanos ou ingleses, sendo que mesmo alguns autores nacionais defendem que essa ordem deveria ser mantida, por uma questão de "tradição". No entanto, isso é indefensável, se levarmos em consideração que o principal objetivo dessas celebrações é estabelecer um vínculo, uma conexão com os ciclos naturais. Obviamente, não faz nenhum sentido essa conexão com uma natureza diferente da que nos cerca.
Conforme citamos no tópico anterior, os quatro festivais que marcam o início real das estações, ou o momento de transição entre elas (Lughnasad, Samhain, Imbolc e Beltane), provém especialmente da tradição celta insular, sendo essencialmente festivais do fogo, ou festivais solares, relacionados principalmente com a figura de deuses como Lugh e Belenus. Conforme nos narra Barry Cunliffe, no entanto, há relativamente poucas referências arqueológicas diretas a esses festivais, o que impossibilita sabermos com maior segurança como eles se davam originalmente. Na verdade, no Calendário de Coligny, datado do século I a.C. e principal referência arqueológica à divisão celta do tempo, estão indicados apenas os festivais de Beltane e Lughnasad, o que parece indicar que, nessa época, os velhos costumes já estavam sendo abandonados na parte mais civilizada do mundo celta. No entanto, por remeterem diretamente à tradição celta - e dessa forma ter uma certa "ligação ancestral" com os fundadores - esses quatro festivais são denominados, na Wicca, de Grandes Sabás.
Continua...
Bibliografia: Curso de Wicca - Mito e Magia © Jan Duarte 2003/2004

quinta-feira, 3 de novembro de 2011


"Se você falar com os animais, eles irão falar com você.
E assim, vocês conhecerão um ao outro.
Se você não falar com eles, não os conhecerá...
...E aquilo que você não conhece, você teme.
... E aquilo que se teme, se destrói.”

O que é Xamanismo?
Léo Artése
Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio. O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.  
As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.
Pode–se considerar o xamanismo como a verdadeira arte de viver.
Os ensinamentos são baseados na observação da natureza e seus sinais: sol, lua, Terra, Água, Fogo, Ar, Animais, Plantas, Vento, Ciclos, etc…
A prática do xamanismo utiliza-se do trabalho com: ervas, direções sagradas, rituais, jornadas xamanicas, contato com natureza e seres espirituais, ritmos, danças e movimentos corporais, elementos básicos da natureza (água, terra, ar, fogo, cristais, pedras, argila, etc…), cirurgias espirituais e técnicas de cura e purificação dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, entre outras coisas. O xamanismo tem como objetivos básicos: reconectar o ser com sua sabedoria interior, conexão com a multidimensionalidade do ser humano, ancoragem do poder pessoal, conexão com seres espirituais, limpeza dos corpos físico e sutis, limpeza e harmonização de ambientes, harmonização plena do ser, conscientização do aspecto espiritual de cada um e de sua inter relação com a natureza e com o planeta a que pertence, ativação das habilidades de coragem, força e sabedoria para lidar com questões generalizadas , curas e prevenção de distúrbios e doenças.

O conceito básico da cura xamanica é que ” Ninguém cura o outro. A cura está dentro de cada um”.