sábado, 6 de abril de 2013









O Credo de Afirmação


 Eu Creio:


Tornar-me as potencialidades pelas quais me esforcei... 
No Caminho funambulatório entre êxtases: 
Na aceitação de todas as coisas, e em todas as portas entrar ultrapassando-as:

    Dito eu mesmo a lei que sigo o bem e o mal eu afirmo: 

Na reabilidade de todas as coisas do ego, a apoteose do Conhecimento no êxtase: 
Nos Deuses e na Eterna Carne como toda Verdade:
 Este meu caminho é o único caminho para mim, no entanto me desvio:


 Isso…

 Que  me envolve deve vir diante como um potente elemental para me judar. 
E eu creio sem reservas na preservação dos meus conceitos como a mediação do Ego, a partir do qual todas as coisas finalmente vêm.

 Amém!



quarta-feira, 13 de março de 2013

___________________MABON________________________




                         
              Mabon, o equinócio de outono,  é a conclusão da colheita iniciada no Lughnasadh. Mais uma vez o dia e anoite têm a mesma duração, equilibrados enquanto 0 Deus seprepara para abandonar  Seu corpo físico e iniciar a grande aventurarumo ao desconhecido,  em direcção à renovação e ao renascimento pela Deusa.  

     A natureza retrocede, recolhe sua fartura, preparando-se para o inverno e seu período de repouso. 

    A Deusa curva-se diante do Sol que enfraquece,  apesar do fogo que queima dentro de Seu útero. Ela sente a presença do Deus mesmo enquanto Ele enfraquece. Os dois Equinócios são tempos de equilíbrio. Dia e noite estão equalizados, e a maré do ano flui regularmente. Mas enquanto o Equinócio da Primavera manifesta o equilíbrio de um atleta pronto para ação, o tema do Equinócio de Outono é o do descanso após o trabalho. Nas Estações da Deusa,  o Equinócio da Primavera representa Iniciação; o Equinócio de Outono,Repouso.



        A safra foi colhida, ambos grão e fruto, mesmo que o Sol – embora mais suave e menos intenso do que era – ainda está conosco. Com aptidão simbólica, ainda há uma semana a seguir antes de Michaelmas, o festival de Michael/Lucifer, Arcanjo do Fogo e da Luz, ao qual devemos começar à dizer au revoir ao seu esplendor.





      Doreen Valiente (Um ABC do Witchcraft, pág.166) ressalta que as aparências espectrais mais frequentes de certas assombrações recorrentes estão em Março e Setembro, “os meses dos Equinócios – períodos bem conhecidos para os ocultistas como sendo tempos de stress psíquico”. Isto pareceria contradizer a idéia de os Equinócios serem tempos de equilíbrio; embora o paradoxo seja apenas aparente. Tempos de equilíbrio, de atividade suspensa, são por sua natureza as ocasiões quando o véu entre o visível e o invisível é diáfano. Estas são também as estações quando os seres humanos ‘mudam a marcha’ para uma fase diferente, e portanto tempos de turbulência tanto psicológica quanto psíquica. Esta é toda a maior razão para nós reconhecermos e compreendermos o significado daquelas fases naturais, de forma que sua turbulência nos animem ao invés de nos angustiar.


      Se observarmos o Calendário da Árvore que Robert Graves mostrou para sustentar tanto do nosso simbolismo mágico e poético Ocidental, nós descobriremos que o Equinócio de Outono vem um pouquinho antes do fim do mês do Vinho e do começo do mês da Hera. Vinho e Hera são as únicas das árvores-mês que crescem espiraladas – e a espiral (especialmente a espiral dupla, enrolar e desenrolar) é um símbolo universal de reencarnação. E o pássaro do Equinócio de Outono é o Cisne, outro símbolo da imortalidade da alma – tal como é o ganso selvagem, cuja variedade doméstica é o tradicional prato de Michaelmas.



           No Panteão Celta, Mabon, também conhecido como Angus, era o Deus do Amor. 

           Nessa noite devemos pedir harmonia no amor e proteção para as pessoas que amamos. 
     
           Está é a segunda colheita do ano. O Altar deve ser enfeitado com as sementes que renascerão na primavera. O chão deve ser forrado com folhas secas. 

          O deus está agonizando e logo morrerá. este é o Festival em que devemos pedir pelos que estão doentes e pelas pessoas mais velhas, que precisam de nossa ajuda e conforto. 

           Também é nesse festival que homenageamos as nossas Antepassadas Femininas, queimando papéis com seus nomes no Caldeirão e lhes dirigindo palavras de gratidão e bênçãos.

             E também neste sabbat é tradicional fazer uma Cornucópia da Prosperidade...


terça-feira, 5 de março de 2013

HÉCATE







Hécate.

Hino Órfico à Hécate
“Hécate a Beleza, eu a invoco:
Vós, dos caminhos e encruzilhadas, do céu, da terra e também do mar.
Vós, vestida de açafrão, dentre as tumbas,
Dançando com as almas mortas e o ritual báquico.
Vós, filha de Perses, amante da desolação, se regozija em gamos e cães, na noite.
Vós, terrível Rainha! Devoradora de bestas!
Despertada, possuída por forma inacessível!
Vós, caçadora de búfalos, Imperatriz soberana universal:
Vós, guia que vagueia pela montanha, é noiva, é pajem,
eu rogo, Ó Donzela, sua presença nestes rituais sagrados.
Vós, que vindes com a graciosidade do touro e um eterno coração alegre".






    Filha dos Titãs estelares Astéria e Perseu, Hécate usa a tiara de estrelas que ilumina os escuros caminhos da noite, bem como a vastidão da escuridão interior. Neta de Nyx, deusa ancestral da noite, Hécate também é uma “Rainha da Noite” e tem o domínio do céu, da Terra e do mundo subterrâneo. “Senhora da magia” confere o conhecimento dos encantamentos, palavras de poder, poções, rituais e adivinhações àqueles que A cultuam, enquanto no aspecto de Antea, a “Guardiã dos sonhos e das visões”, tanto pode enviar visões proféticas, quanto alucinações e pesadelos se as brechas individuais permitirem.
  Como Prytania, a “Rainha dos mortos”, Hécate é a condutora das almas e sua guardiã durante a passagem entre os mundos, mas Ela também rege os poderes de regeneração, sendo invocada no desencarne e nos nascimentos como Protyraia, para garantir proteção e segurança no parto, vida longa, saúde e boa sorte.
  Hécate Kourotrophos cuida das crianças durante a vida intra-uterina e no seu nascimento, assim como fazia sua antecessora egípcia, a parteira divina Heqet. Possuidora de uma aura fosforescente que brilha na escuridão do mundo subterrâneo, Hécate Phosphoros é a guardiã do inconsciente e guia das almas na transição, enquanto as duas tochas de Hécate Propolos, apontadas para o céu e a terra, iluminam a busca da transformação espiritual e o renascimento, orientado por Soteira, a Salvadora.
  Como deusa lunar Hécate rege a face escura da Lua, Ártemis sendo associada com a lua nova e Selene com a lua cheia. No ciclo das estações e das fases da vida feminina Hécate forma uma tríade divina juntamente com: Kore/Perséfone/Proserpina/Hebe - que presidem a primavera, fertilidade e juventude -, Deméter/Ceres/Hera – regentes da maturidade, gestação, parto e colheita - e o Seu aspecto Chtonia, deusa anciã, detentora de sabedoria, padroeira do inverno, da velhice e das profundezas da terra. 
  


 


  Hécate Trivia e Trioditis, protetoras dos viajantes e guardiãs das encruzilhadas de três caminhos, recebiam dos Seus adeptos pedidos de proteção e oferendas chamadas “ceias de Hécate”. Propylaia era reverenciada como guardiã das casas, portas, famílias e bens pelas mulheres, que oravam na frente do altar antes de sair de casa pedindo Sua benção. As imagens antigas colocadas nas encruzilhadas ou na porta das casas representavam Hécate Triformis ou Tricephalus como pilar ou estátua com 3 cabeças e 6 braços que seguravam suas insígnias: tocha (ilumina o caminho), chave (abre os mistérios), corda (conduz as almas e reproduz o cordão umbilical do nascimento), foice (corta ilusões e medos).



 
   Devido à Sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram Seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários.
  Na Idade Média, o cristianismo distorceu mais ainda seus atributos, transformando Hécate na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos. Estas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate”, as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).
   No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizantes e castigando os homens com pesadelos e perda da virilidade. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.
   No atual renascimento das antigas tradições da Deusa compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas que apenas encobrem o medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino. Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.
   A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação. Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo. 

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Os esquisotéricos e a nova era.


       
Os esquisotéricos e a nova era



         Esquisotéricos, o que é isso? Olhe, é uma turminha barra pesada que senta lá no fundo. Falam muito, repetem sempre que têm uma oportunidade: “isso é quântico” e sabem tudo a respeito de tudo.  
Dominam os assuntos espirituais, anjos, demônios, espiritismo, bruxaria, tarô, Cabala, conhecimentos maçônicos,  cristais, consciência quântica e por aí vai. Alguns até já são mestres e profundos conhecedores da alma humana após lerem alguns livros do “Paulo Coelho” (nada contra o Paulo Coelho, muito pelo contrário,  ele sabe como ganhar dinheiro e isso é um dom!).
Mas não confundam os esquisotéricos com os místicos verdadeiros, que procuram respostas e sentido para suas vidas de uma forma sincera, seguindo um parâmetro espiritual sadio, com referências baseadas  em trabalhos sérios e com muita profundidade de consciência em tudo que fazem ou se esforçam para atingir. Conheci certa vez uma terapeuta esquisotérica, que previu que seu cliente iria casar “três vezes” porque antes de iniciar a consulta ao tarô, deixou cair três lâminas aos pés do cliente (uma coisa sem pé nem cabeça!!!). Mas as loucuras ou melhor as esquisitices não param por aí. Existem pessoas que dão cursos de desdobramento astral e nunca saíram do corpo.
Quando o assunto é reencarnação, aí o bicho pega: você já reparou que todo mundo foi em uma outra vida um grande personagem histórico? Plebeu, jamais! Alguns falam de chacras e energias possantes que brotam de suas mentes ou de seus corações e, no entanto, são incapazes de direcionar um milésimo dessa energia para o bem de alguém.
Os esquisotéricos não se aprofundam em nada, no entanto, são mestres em tudo! O pior é que tem muita gente que segue esses espertos com uma fé cega na esperança de que esse ser “iluminado”, “instrumento do altíssimo”, possa - quem sabe - mudar suas vidas em um passe de mágica! E os esquisotéricos que são especialistas em carma? Para esses tudo é carma, mesmo que o problema tenha sido originado nesta vida, em um trauma na infância, por exemplo, e que possa ser explicado através da psicologia ou da medicina.
Tem alguns que dizem que o carma é uma “espécie de vingança da natureza”. Já ouvi isso! E os textos que encontramos em blogs e sites especializados em mestres e parábolas? Todos dão lições de moral e denotam um profundo saber. Entre nós; não são um porre? Palavras soltas ao vento, na realidade. Impressionam, mas estão vazias de sentido prático. Um terror, na realidade! Cursos lotados, palestras, livros lançados e pessoas impressionadas. Lá estão os esquisotéricos mostrando  todo o seu “conhecimento”. Falam do amor verdadeiro com “profunda maestria” (mas alguns são separados e odeiam o(a) ex, ou dão seus pulinhos fora do casamento). Almas gêmeas? Eles dão preciosas dicas de como reconhecê-las e todos, sem exceções, não sabem se um dia encontrarão a sua, sejá lá o que for uma alma gêmea. Gnomos? Eles batem altos papos quase todo santo dia, afinal de contas, são muito íntimos dos elementos da natureza. Eles os atendemsempre e em todos os seus desejos. Falam de vida após a morte, mas alguns têm verdadeiro pavor de espíritos. Dá para entender esse povo? E o contra-senso  não pára por aí! Alguns citam o poder pessoal latente dentro de todo o indivíduo e que pode ser ativado a qualquer momento e adivinhem por quem e como?
Exatamente! Por eles, e uma nova técnica baseada em um conhecimento antigo que veio da Índia ou do Egito, e que eles “adaptaram” e desenvolveram para esse fim, é óbvio! No entanto, muitos deles, jamais iriam a um curso ou uma palestra de como desenvolve-los.
Os esquisotéricos e a nova era ver a paciência e a compreensão em busca do perdão porque é chato. Eu poderia enumerar muita coisa ainda, mas não vale a pena! Então fico me perguntando: onde vamos parar? É isso a Nova Era? A Era de Aquarius é uma Era de revelações. Mas precisamos prestar mais atenção nas revelações que andam aparecendo por aí. Será que tudo isso que está sendo oferecido se chama espiritualidade? Segundo as Antigas Escolas de Mistérios, a verdadeira espiritualidade está presente em nós mesmos! Espíritos elevadíssimos nasceram em nosso planeta com este propósito: ensinar o homem a reconhecer sua natureza divina. Buda, Jesus, São Francisco de Assis, Santo Agostinho, são bons exemplos a serem seguidos. Temos parâmetros, porque não os usamos? Ocultistas sérios contribuíram  com excelentes trabalhos à causa da espiritualidade: Helena Petrovna Blavatsky, Franz Hartmann,  Papus, Georg Ivanovitch Gurdjieff sem esquecer de Paracelso e de Aleister Crowley.
Mas, por que as pessoas se perdem tanto em sua caminhada espiritual e acabam encontrando somente esquisotéricos em seu caminho? Porque elas não passam um filtro nas informações recebidas e não seguem parâmetro algum para comparar as informações. Não sou dono da verdade, até porque não acredito em verdades. Cada indivíduo tem a sua. Mas acredito na busca honesta da espiritualidade. Acredito na falta de ego dos Grandes Mestres e por isso eram grandes! E este é o maior problema da Nova Era: Egos inflados! Basta ter ego, para não ser um mestre. E os antigos mestres, como Jesus, davam aos seus discípulos a linha e o anzol e ensinavam a pescar!
Eles não mostravam o caminho, eles se tornavam o caminho.
Há um ditado Zen que diz: “Se você encontrar Buda no caminho, mate-o”. Parece um disparate? Não, na realidade não é. Se um discípulo amar tanto Buda e seus ensinamentos e adorá-lo acima de todas as coisas, essa adoração se tornará com certeza, a mais difícil de todas as barreiras já encontradas no caminho da sua espiritualidade e esse discípulo não poderá se unir a Deus na totalidade, porque embora 99,9% do seu ego tenha se dissolvido e superado os véus da ilusão, este 0,01% restante que representa seu amor por Buda e seus ensinamentos além da gratidão pelo conforto recebido nos momentos de desespero, ainda representam o ego em sua totalidade e isso o impossibilita de se unir a Deus. Então, o que significa a frase? O significado é até muito simples de se entender: “Mate seu apego a professores e coisas externas, não se fixe em nada, não crie raízes em nada e o ego desaparecerá!” Mais resumido? Não seja dependente. Aprenda algo hoje, absorva e abandone logo em seguida. É por aí que a consciência se amplia. “Paga-se mal a um mestre, quando se continua sempre a ser o aluno” (Friedrich Nietzsche, Ecce Homo, Prólogo, parágrafo4)
Busque informações, faça cursos, leia bons livros, mas seja acima de tudo, criterioso com o caminho que você irá escolher. Não procure muletas para se apoiar, não eleja ninguém um supertudo, você não precisa. Seja consciente para não se arrepender mais tarde devido ao tempo desperdiçado com coisas inúteis e egos inflados...
Rodrigo Machado
Retirado da Revista Digital “Alumiar”.

sábado, 30 de junho de 2012

A DEUSA







Entre os Mundos



Os encargos da Deusa 1,



Ouça as palavras da grande mãe, que, em tempos idos, era chamada de
Ártemis, Dione, Melusina, Afrodite, Ceridwen, Diana, Arionrhod, Brígida
e por muitos outros nomes:

“ Quando necessitar de alguma coisa, uma vez no mês, e é melhor que seja
 quando a lua estiver cheira, deverá reunir-se em algum local secreto e
adorar o meu espírito que é a rainha de todos os sábios. Você estará
livre da escravidão e, como um sinal de sua liberdade, apresentar-se-á nu
em seus ritos. Cante, festeje, dance, faça música e amor, todos em minha
presença, pois meu é o êxtase do espírito e minha também é a alegria sobre
a terra. Pois minha lei é a do amor para todos os seres. Meu é o segredo que
abre a porta da juventude e minha é a taça do vinho da vida, que é o
caldeirão de Ceridwen, que é o gral sagrado da imortalidade.
Eu concedo a sabedoria do espírito eterno e, além da morte, dou a paz e a
 liberdade e o reencontro com aqueles que se foram antes. Nem tampouco
exijo algum tipo de sacrifício, pois saiba, eu sou a mãe de todas as coisas e
 meu amor é derramado sobre a terra.”

Atente para as palavras da deusa estelar, o pó de cujos pés abrigam-se o sol,
 a lua, as estrelas, os anjos, e cujo corpo envolve o universo:

“ Eu que sou a beleza da terra verde e da lua branca entre as estrelas e
os mistérios da água, invoco seu espírito para que desperte e venha até a mim.
 Pois eu sou o espírito da natureza que dá vida ao universo.
De mim todas as coisas vêm e para mim todas devem retornar.
 Que a adoração a mim esteja no coração que rejubila, pois, saiba, todos
os atos de amor e prazer são meus rituais.
Que haja beleza e força, poder e compaixão, honra e humildade,
júbilo e reverência, dentro de você.
 E você que busca conhecer-me, saiba que a sua procura e ânsia serão
 em vão, a menos que você conheça o mistério: pois se aquilo que busca,
 não se encontrar dentro de você, nunca o achará fora de si.
Saiba, pois, eu estou com você desde o início dos tempos,
e eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo.”



O simbolismo da Deusa tem assumido um poder eletrizante para as
mulheres. A redescoberta de uma antiga civilização femeocentrada
 trouxe
 profundo sentido de orgulho na capacidade de a mulher criar e sustentar
 uma cultura. Ela expôs as falsidades da história patriarcal e propiciou
modelos
 de força e autoridade femininas. Novamente, no mundo atual,
reconhecemos
a Deusa, antiga e primitiva: a primeira das deidades; padroeira da Idade
 da Pedra e suas caçadas e dos primeiros semeadores; sob cuja orientação
os rebanhos foram domesticados, as ervas curativas logo descobertas;
a partir de cuja imagem as primeiras obras de arte foram criadas; para
quem as pedras foram levantadas; que era a inspiração para canções
e poesia.
 Ela é a ponte, pela qual podemos cruzar os abismos dentro de nós
 mesmos, que foram criados pelo condicionamento social,
e nos colocar em contato, novamente, com os nossos potenciais perdidos.
 Ela é o navio, no qual navegamos nas águas do self profundo, explorando os mares
 desconhecidos dentro de nós. Ela é a porta, através da qual
passamos para o futuro.
 Ela é o caldeirão, no qual, os que fomos puxados de um lado para outro,
 podemos cozinhar em fogo brando, até que sejamos novamente um todo.
Ela é a passagem vaginal, através da qual renascemos.

Uma análise comparativa geral, histórica e/ou cultural, da deusa e de
seus símbolos exigiria, por si só, vários volumes e eu não farei tal
tentativa no espaço limitado, tendo em vista, especialmente,
que muito material de boa qualidade já é disponível.

As pessoas, com freqüência, perguntam-me se eu acredito na
 Deusa. Eu respondo: “Você acredita em pedras?” É extremamente
difícil, para a maioria dos ocidentais, captar o conceito de uma
deidade manifesta. A frase “acreditar em” implica que não
podemos conhecer a Deusa, que ela é, de alguma maneira,
inalcançável, incompreensível. Mas, nós não acreditamos em
 pedras, podemos vê-las, tocá-las, cavá-las de nosso jardim ou
impedir que crianças atirem-nas umas nas outras. Nós as conhecemos;
ligamo-nos a elas! Na Arte, não acreditamos na Deusa:
ligamo-nos a Ela, através da lua, das estrelas, do mar, da terra,
 das árvores,  animais e outros seres humanos, através de nós mesmos.
Ela está aqui. Ela está dentro de todos nós. Ela é o círculo pleno:
 terra, ar, fogo, água  e essência; corpo mente espírito,
emoções, transformações.

A Deusa é a primeira em toda a terra, o mistério, a mãe que alimenta e dá
 toda a vida. Ela é o poder da fertilidade e geração; o útero e também a
sepultura que recebe, o poder da morte. Tudo vem dela, tudo retorna para ela.
Sendo terra, também é a vida vegetal; as árvores, as ervas e os grãos que s
ustentam a vida. Ela é o corpo e o corpo é sagrado. Útero, seios, barriga, boca, vagina, pênis, osso e sangue; nenhuma parte  do corpo é impura, nenhum
aspecto dos processos vitais é maculado por qualquer conceito de pecado. Nascimento, morte e decadência, são partes igualmente sagradas do ciclo.
Se estivermos comendo, dormindo, fazendo amor ou eliminando excessos
do corpo, estamos manifestando a deusa.

A Deusa da Terra é também o ar e o céu, a celestial Rainha do Céu,
A Deusa Estelar, regente de todas as coisas sensíveis mas invisíveis:
 do conhecimento, da mente e da intuição. Ela é a musa, que desperta
todas as criações do espírito humano. Ela é a amante cósmica,
a estrela da manhã e do entardecer, Vênus que surge nos momentos
 de amor. Bela e irradiante, ela jamais pode ser dominada ou
penetrada; a mente é conduzida cada
 vez mais adiante na ânsia de conhecer o desconhecido, de falar
 o inexprimível. Ela é a inspiração que vem no momento da introspecção.

A Deusa Celestial é vista como a lua, que está associada aos ciclos mensais de sangramento e fertilidade das mulheres. A mulher é a lua terrena; a lua é o ovo
celestial, vagando no útero do céu, cujo sangue menstrual é a chuva que fertiliza e
o orvalho que refresca; aquela que governa as marés dos oceanos, o primeiro
ventre da vida na terra. Portanto, a lua é também a Senhora das Águas: das ondas
 do mar, correntes, nascentes, dos rios que são as artérias da Mãe Terra; dos lagos,
poços profundos e lagoas escondidas, dos sentimentos e emoções, que nos tomam
como ondas do mar.


A Deusa da Lua possui três aspectos: crescente é a donzela; cheia, é a Mãe;
minguante, é a anciã. Parte do treinamento de cada iniciado implica períodos de meditação sobre a Deusa em seus vários aspectos.


1,  O Papel da Deusa foi escrito por Doreen Valiente. Ele aparece sob diversas formas; nesta versão, fiz alterações ligeiras na linguagem. Ele é muitissimo apreciado pelos bruxos por expressar perfeitamente nosso conceito da Deusa.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

PÃ!!!





INVOCAÇÃO A PÃ
 
Por MARK SIMOS
 
 
            Se o corvo seus cabelos tingir
 
E sentar-se um rei escarlate
 
Na escada inclinada do coração
 
Então, oh, os espetáculos que lá você verá...
 
O cristal se quebrando
 
Sob um penetrante olhar verde-escuro,
 
 
 
Um penetrante olhar verde-escuro, de olhos fogosos,
 
De lagoas do mais profundo âmbar...
 
Cerque seu castelo de urze branca,
 
Ainda assim Pã encontrará seus aposentos.
 
 
 
Encha-o até a borda, não diga quando,
 
Beba até fartar-se e beba novamente,
 
Ouça o mar tonitruando.
 
Encha-o até a borda, não diga quando,
 
É Pã que continua servindo...
 
 
 
Mãos de nozes, os olhos de um urso...
 
Aquele que busca as suas tristezas
 
Poderá achar a parte do leão.
 
Com o mesmo fôlego ele atrai e avisa...
 
O fogo que mantém o frio à distância
 
É o mesmo fogo que queima.
 
 
 
A chama que arde, a canção que mata,
 
Quando você ouve o que ela está dizendo...
 
Deixe o pânico perseguir-vos no labirinto,
 
Pois Pã está somente se divertindo.
 
 
 
Encha-o até a borda, não diga quando,
 
Beba até fartar-se e beba novamente,
 
Ouça o mar tonitruando.
 
Encha-o até a borda, não diga quando,
 
É Pã que continua servindo.
 
 
 
Observador misterioso com sobrancelhas emaranhadas
 
Põe seu dedo em seus lábios,
 
Não mais ouviremos juras,
 
De promessas que jamais guardaremos,
 
Nem do sonho secreto
 
Que foge quando despertamos do sono.
 
 
 
Quando do sono despertamos,
 
E os nossos olhos esfregamos,
 
Para impedir que as lágrimas salgadas escorram,
 
Você pode cobrir os seus ouvidos para abafar os seus brados...
 
 
 
Entretanto é Pã que continua simplesmente chamando. 

A imagem do Deus Galhudo em Feitiçaria é radicalmente diferente de qualquer
outra imagem de masculinidade em nossa cultura. Ela é difícil de ser
compreendida, pois ele não se encaixa em nenhum dos estereótipos esperados, nem
aqueles referentes ao homem "macho" nem às imagens invertidas daqueles que,
deliberadamente, buscam a efeminação. Ele é suave, carinhoso e encorajador,
mas é também o Caçador. Ele é o Deus Moribundo, mas a sua morte está sempre a
serviço da força vital. Ele é sexualidade indomada, mas sexualidade como um
poder profundo, sagrado e unificador. Ele é o poder do sentimento e a imagem do
que os homens poderiam ser, se estivessem libertos das correntes da cultura
patriarcal.
 

A imagem do Deus Galhudo foi deliberadamente pervertida pela igreja medieval
para a imagem do diabo cristão. As bruxas não acreditam ou cultuam o diabo -
elas o consideram como um conceito próprio do cristianismo. O Deus das Bruxas é
sexual, mas a sexualidade é percebida como sagrada, não como obscena ou
blasfema. Nosso deus possui chifres, mas estes são as meias-luas que crescem e
minguam da Deusa da Lua e o símbolo da vitalidade animal. Em alguns aspectos,
ele é negro, não por ser horrendo ou assustador, mas porque a escuridão e a
noite são períodos de poder e parte dos ciclos temporais.Sempre existiram tradições
 da Arte nas quais ao deus é concedido reconhecimento
limitado. Na Arte, os mistérios femininos e os mistérios masculinos podem ser
desempenhados separadamente. Mas, na maioria das tradições de bruxas, o Deus
é visto como a outra metade da Deusa e muitos dos ritos e festividades são
dedicados a ele e a ela.
 
No movimento feminino, a Feitiçaria diânica/separatista tornou-se moda e algumas mulheres 
podem ter dificuldades em compreender porque uma feminista se preocuparia com o Deus Galhudo. 
No entanto, existem poucas mulheres - se, de fato, existem - cujas vidas não estão ligadas aos homens, 
senão sexual e emocionalmente, então economicamente. O Deus Galhudo representa qualidades masculinas 
poderosas e positivas que derivam de fontes mais profundas que estereótipos e o aleijamento emocional e 
violento dos homens em nossa sociedade.Se o homem tivesse sido criado à imagem do Deus Galhudo, estaria 
livre para ser indomado sem ser cruel, irado sem ser violento, sexual sem ser coercivo,espiritual sem ser
assexuado e capaz de amar verdadeiramente. As sereias, que são a Deusa, cantariam para ele.  


Para os homens, o Deus é a imagem do poder interior e da potência que vai além
do sexual. Ele é o self não dividido, no qual a mente não é cindida do corpo,
nem o espírito da carne. Unidos, ambos podem funcionar ao máximo do poder
criativo e emocional.
 
Em nossa cultura, ensina-se aos homens que a masculinidade exige ausência de
sentimentos. Eles são condicionados a agir de maneira militar; a castrar as
emoções e ignorar a mensagem de seus corpos; a negar o desconforto físico, a dor
e o medo, a fim de lutar e dominar com maior eficácia. Isso assume foros de
verdade independentemente de o campo de batalha ser o da guerra, um quarto ou um
escritório.



O Deus incorpora o poder do sentimento. Seus chifres animais representam a
verdade da emoção não mascarada, a qual não busca agradar a nenhum senhor. Ele é
indômito. Mas, sentimentos indomados são muito diferentes de violência
sancionada. O deus é a força da vida, o ciclo da vida. Ele permanece dentro da
órbita da deusa; seu poder está sempre a serviço da vida.
 
O Deus das Bruxas é o Deus do amor. Esse amor inclui a sexualidade, que também é
plenamente selvagem e indomada, assim como suave e carinhosa. Sua sexualidade é
plenamente sentida, em um contexto onde o desejo sexual é sagrado, não somente
por ser o meio pelo qual a vida é procriada mas, também, porque ele é o meio
através do qual nossas próprias vidas são mais profundas e extaticamente
realizadas. Em Feitiçaria, o sexo é um sacramento, sinal externo de uma graça
interior. Essa graça é a profunda ligação e o reconhecimento da totalidade da
outra pessoa. Em essência, não se limita ao ato físico, é uma troca de energia,
um alimentar sutil entre as pessoas. Através da ligação com o outro, ligamo-nos
ao todo.

Na Arte, a cisão entre mente e corpo, carne e espírito, é curada. Os homens são
livres para serem espirituais sem serem assexuados, pois Deus e Deusa incorporam
a força profundamente tocante da sexualidade apaixonadamente vivida. Eles podem
unir-se a seus sentimentos verdadeiros, suas necessidades, suas fraquezas, assim
como a suas forças. Os rituais são vigorosos, físicos, energéticos e catárticos.
O êxtase e a energia selvagem e indomada são revestidos de um valor espiritual,
não relegados ao campo de futebol ou ao bar da esquina.
O Deus está dentro e fora. Como a Deusa, ele é invocado de várias maneiras: com
canções, cânticos, tambores, danças, um poema sussurrado, um grito selvagem. De
qualquer maneira que o invocamos, ele desperta dentro de nós: