domingo, 29 de janeiro de 2012


                                            Lammas ou Lughnasad




O Lammas é o sabá que comemora a chegada das primeiras colheitas, juntamente com a chegada do outono. Será dia 2 de fevereiro. Marca, portanto, a chegada dos primeiros frutos da Mãe-Terra que alimentarão os homens, bem como a transição do Deus-Sol para o papel de protetor e provedor. Convém lembrar que o termo Lammas já é um nome um tanto moderno (e mesmo cristianizado) para esse sabá, motivo pelo qual pode-se dizer que ele foi antes absorvido do que anulado ou sincretizado, mantendo-se vivo entre a cristandade na forma de inúmeros festivais de colheita, em todo o mundo ocidental.

Entre os celtas insulares, porém, era conhecido e celebrado como Lughnasadh. Este festival era dedicado ao deus Lugh, deus guerreiro associado ao sol, que teria tido importância decisiva na vitória dos Thuatha De Dannan sobre os Fomorianos (duas tribos míticas que haveriam povoado a Irlanda). Uma das lendas associadas a Lugh conta que ele teria poupado a vida do chefe inimigo Bres, em troca do segredo de arar a terra, semear e colher. Eis aqui, portanto, uma referência direta à agricultura neste festival, mesmo em sua forma mais ancestral.

Aliás, pesquisadores independentes como Louis Charpentier e Juan G. Atienza, no que pesem as críticas que podem ser feitas a um certo diletantismo de seus trabalhos, apontam interessantes paralelos entre a figura de Lugh e numerosas divindades ou "heróis" civilizadores, como, por exemplo, o egípcio Osíris ou o grego Héracles. Esses autores nos mostram toda uma série de similaridades entre essas divindades solares e sugerem uma ligação destas a uma suposta raça de "contrutores de megalitos" que teriam trazido as técnicas da agricultura à Europa Ocidental. A levar-se em consideração tais hipóteses, não de todo absurdas, teríamos uma forte razão para que este festival fosse um dos que subsistiram mais fortemente nas tradições populares.

Uma outra tradição ligada ao Lammas era o costume de se atear fogo a uma roda de madeira e fazê-la rolar colina abaixo. Essa prática representava a descida do sol, o encurtamento progressivo dos dias, significando que o Deus entrava em sua fase de decadência.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

BRUXARIA UM CAMINHO COM CORAÇÃO


                                                               
         A Bruxaria possui uma forte tradição mágica e, contrariando o preconceito da sociedade em relação à magia, não cultiva entidades negativas nem utiliza de sacrifícios para atingir o poder. Cultua uma Deusa Mãe como princípio universal, cuja contraparte masculina é o Deus dos animais, das florestas e das energias positivas. Trabalhando com energia que nos faz crescer a cada momento de nossa vida, a Bruxaria busca o amor à vida na Natureza, nossa fonte de força e sabedoria. Ela nos mostra que a Magia encontra-se adormecida dentro de cada um e nos ajuda a acordar, desenvolver e ampliar essa energia. Nesse sentido nos auxilia na criação da atmosfera propícia à manifestação desse poder, ora latente, com toda a sua força.
        Os praticantes da Arte são os mais variados e iniciam seu caminho ao receber em seu interior um chamado que nem sempre é compreendido de imediato. Um dos pontos relevantes de nossa crença é a não distinção de idade, posição social, raça ou sexo. Até porque, ao contrário de rótulos sócio-culturais, o que nos mantém unidos no caminho é a total liberdade para nos reencontrarmos em harmonia com a Terra e a Natureza. Cultivamos a alegria e a satisfação de nos encontrarmos vivos, de realmente ser e sentir nossa individualidade, buscando trabalhar para criar uma maior responsabilidade tanto social como ambiental. Isso acontece porque acreditamos que todas as coisas possuem seu lugar e sua função. Devemos, por isso, buscar viver essa harmonia não só em nossa vida pessoal, mas também na Natureza e na sociedade que nos cerca.
       Cultuamos sim aos Deuses, mas buscamos respeitar acima de tudo, os caminhos escolhidos pelos outros, mesmo que tais pessoas, na maioria das vezes, não respeitem os nossos. Diferente de outras culturas religiosas não saímos em busca de novos adeptos para a nossa crença. Mesmo assim a Bruxaria cresce a cada dia, principalmente pela busca que o ser humano faz na caminhada pela estrada da vida. Não vai escutar em momento algum uma Bruxa dizer que “a Bruxaria é o único caminho verdadeiro”. Todos os caminhos levam - ou deviam levar - a uma elevação espiritual. O diferencial é que a Bruxaria nos dá algo que, em geral, não encontramos em outras crenças: LIBERDADE DE AGIR. Por isso, a Bruxaria se pauta pela liberdade de alegria e felicidade em nossos rituais, sem que isso acarrete alguma espécie de represália por parte dos Deuses. Nossa única restrição diz respeito a não prejudicar ou interferir no livre arbítrio de qualquer pessoa, ou como diz a Lei Tríplice: “Tudo o que fizeres, retornará triplicado para você”.
       Para falar sobre a origem da Bruxaria, devemos voltar no tempo, aos primórdios da Humanidade. Segundo historiadores, temos nas Madonas Negras, encontradas em cavernas do período neolítico, datadas com aproximadamente 25 mil anos, indicações onde as Deusas da Fertilidade eram objetos de adoração dos povos primitivos. No início da consciência humana, a mulher ao dar a luz a uma vida com o nascimento de uma criança, gerou a ideia de uma Grande Mãe que teria gerado todo o Universo. Criou-se, assim, dentro da própria natureza, a ligação dos fenômenos naturais como manifestações do divino, onde os Deuses nasceram na própria concepção do ser humano. Nos povos que buscavam na agricultura sua forma de sobrevivência, foram designados Deuses que comandavam cada uma das estações do ano, onde, até os dias de hoje, dentro da nossa cultura, são celebrados a cada solstício e equinócio.
       Nas sociedades que tinham na caça seu sustento, surgiu o culto ao Deus dos Animais e da Fertilidade, também conhecido como Deus de Chifres ou Cornífero. Desde os tempos antigos, os chifres sempre tiveram a representação da fertilidade, da coragem e a ligação com o espírito dos animais, que eram caçados somente para o devido sustento e sobrevivência do grupo. O mais interessante é que a Bruxaria surgiu de maneira quase simultânea em diferentes regiões da Europa. Existem, segundo pesquisadores, indícios do culto a uma Grande Mãe em locais hoje conhecidos como Irlanda, Inglaterra, País de Gales, Escócia, sudoeste da Itália , Britânia e França. Mesmo já sendo antiga como conceito, a Bruxaria só veio a se firmar como um sistema a partir da invasão dos Celtas na Europa, quase mil anos antes da era cristã. Trouxeram com eles suas crenças que foram misturadas com as dos nativos, unindo seus Deuses aos já cultuados na região.

                                                            
     Os Celtas mantiveram a tradição viva em sua cultura, e, em função disso, dentro da Bruxaria, seu panteão (seus Deuses) são os mais utilizados. Isso não impede que se utilize a crença em outros panteões, como o Egípcio ou o Greco-Romano. Os Celtas possuíam um regime matrifocal, onde a mulher era respeitada como Sacerdotisa que tinha a última palavra em qualquer assunto, desde a criação dos filhos até as batalhas que porventura viessem acontecer. Sendo assim, o culto da Grande Mãe e do Deus Cornífero tiveram seu auge nas regiões da Europa dominadas até a chegada dos romanos.
      Mesmo após o domínio dos romanos na Europa, o culto à Grande Mãe manteve-se. Mas na idade média as coisas começaram a mudar. Como a Bruxaria encontrava-se bem definida em algumas culturas, não deixando, pela própria crença do povo, que a Igreja Católica se firmasse com maior poder, foi criada a Inquisição com o único objetivo de suprimir toda crença que não fosse a cristã. Começou assim um período negro na História, onde foram vítimas pessoas que tinham desde problemas de saúde a pessoas que possuíam fortunas que eram invejadas pelo clero. Isso fez com que os verdadeiros bruxos buscassem no anonimato uma forma de salvaguardar suas vidas e as de seus familiares. Os conhecimentos da Arte eram passados oralmente, os instrumentos utilizados eram incorporados nas artes do dia a dia, e assim muito da cultura se perdeu na longa caminhada do tempo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

                                                                        
                                                                     A RODA DO ANO


Os quatro outros festivais (Mabon, Yule, Ostara e Litha) - os Pequenos Sabás - parecem ser simplesmente um amálgama de diversas tradições de ritos equinociais e solsticiais, com elementos tirados de ritos nórdicos e de outras tribos bárbaras da antiga Europa, bem como de outras tradições não-européias, como a própria Páscoa judia. Como já citamos, festivais marcando os equinócios e solstícios são ritos cuja antiguidade é imensa, e são comuns a quase todas as sociedades agrícolas ao redor do mundo.

Para sermos exatos, é difícil precisar em que momento começa a haver uma sistematização desses festivais dentro da Wicca. No primeiro livro de Gardner, "Bruxaria Hoje", há referências aos sabás mais ou menos nos moldes das "reuniões de bruxas" descritas pela Inquisição, mas apenas uma breve alusão a uma cerimônia específica, em verdade um Yule, ao qual o autor teria assistido. Obras posteriores, no entanto, como o "Oito Sabás Para Bruxas", do casal Farrar, já trazem uma imagem acabada do que seriam essas cerimônias, o que reflete certamente a forma como as ideias de Gardner foram sendo consolidadas e outras fontes folclóricas foram incorporadas à doutrina, ao longo das décadas de 1960 e 1970, principalmente.

De qualquer maneira, vale ressaltar que, embora dentro da Wicca haja uma tentativa de resgate dos valores originais associados a essas cerimônias, elas não são, de forma alguma, estranhas ao nosso próprio calendário civil ou mesmo àquelas datas que, comumente, associamos à cristandade. Pelo contrário, tanto os sabás quanto as festas religiosas que se integraram à tradição cultural do Ocidente possuem uma base folclórica comum e significados semelhantes. O que ocorreu, na realidade, foi uma incorporação ou ainda uma "releitura" sob a ótica cristã, de datas, ritos e festividades "pagãs", como veremos a seguir.

 
                                                                      Litha, o Solstício de Verão
                                                                          
                                                                              21 de dezembro

            O dia mais longo do ano marca o auge do poderio do sol. Em Litha, o Deus atinge a maturidade e prenuncia o seu declínio, ao passo que a Deusa, grávida, assume a face da futura mãe. Como no solstício de inverno, o solstício de verão marca uma pausa, um momento de repouso entre as duas metades da Roda do Ano. Aqui, o período não é o repouso forçado pelo inverno, mas sim o repouso prazeroso do verão, o intervalo entre o plantio e a colheita. É de se notar que até hoje, se considerarmos os calendários escolares, teremos férias justamente nesses dois períodos (auge do inverno e auge do verão).

Segundo uma das tradições ligadas ao solstício de verão, esse seria o momento em que o Rei do Carvalho, aspecto do Deus que reinou durante a primeira metade do ano (a fase de crescimento, ou seja, do nascimento à maturidade), seria derrotado e substituído pelo Rei do Azevinho, que governará a outra metade (da maturidade à morte). Há aqui um interessante sincretismo apontado por Robert Graves, conforme citado por Stewart Farrar11: ocorrendo sempre em torno de 20 de junho, no hemisfério norte, a data deste sabá praticamente coincide com o Dia de São João Batista. É interessante notar que, segundo a mitologia cristã, João Batista, o feroz pregador, foi substituído em sua missão por "aquele que veio depois dele", ou seja, o sábio e manso Jesus. Eis aqui, portanto, uma assimilação ou um notável paralelo na doutrina cristã da derrota do impetuoso Rei do Carvalho pelo sábio Rei do Azevinho.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A RODA DO ANO


                                 

                                                                 OS SABÁS
       
                                                         O calendário dos Sabás

A Roda do Ano é marcada por oito pontos nodais, que reúnem os equinócios e solstícios (auge das estações) e os pontos de transição, ou início de cada uma das quatro estações do ano. Para uma compreensão melhor, vale dizer que o momento que atualmente, no calendário civil, é considerado como o início de cada uma das estações, corresponde realmente ao seu auge. Exemplificando, quando nos reportamos ao início da primavera, comumente, por volta do dia 20 de setembro, este é, na realidade, o equinócio de primavera, ou seja, quando a estação está plenamente estabelecida.

Dessa maneira, teríamos a seguinte ordem para os sabás:

Data               Nome do Sabá                          Ocasião
02/02            Lughnasad ou Lammas           início do outono
± 21/03          Mabon                                   equinócio (auge) do outono
01/05             Sanhaim                                 início do inverno
± 21/06          Yule                                       solstício (auge) do inverno
01/08             Imbolc                                  início da primavera
± 21/09          Ostara                                  equinócio (auge) da primavera
31/10              Beltane                                 início do verão
± 21/12           Litha                                      solstício (auge) do verão

Logo de início, é necessário ressaltar que a ordem que descrevi acima leva em consideração o suceder das estações no hemisfério sul. A maior parte dos livros de Wicca que encontramos no mercado se baseia no hemisfério norte, uma vez que são escritos por autores americanos ou ingleses, sendo que mesmo alguns autores nacionais defendem que essa ordem deveria ser mantida, por uma questão de "tradição". No entanto, isso é indefensável, se levarmos em consideração que o principal objetivo dessas celebrações é estabelecer um vínculo, uma conexão com os ciclos naturais. Obviamente, não faz nenhum sentido essa conexão com uma natureza diferente da que nos cerca.
Conforme citamos no tópico anterior, os quatro festivais que marcam o início real das estações, ou o momento de transição entre elas (Lughnasad, Samhain, Imbolc e Beltane), provém especialmente da tradição celta insular, sendo essencialmente festivais do fogo, ou festivais solares, relacionados principalmente com a figura de deuses como Lugh e Belenus. Conforme nos narra Barry Cunliffe, no entanto, há relativamente poucas referências arqueológicas diretas a esses festivais, o que impossibilita sabermos com maior segurança como eles se davam originalmente. Na verdade, no Calendário de Coligny, datado do século I a.C. e principal referência arqueológica à divisão celta do tempo, estão indicados apenas os festivais de Beltane e Lughnasad, o que parece indicar que, nessa época, os velhos costumes já estavam sendo abandonados na parte mais civilizada do mundo celta. No entanto, por remeterem diretamente à tradição celta - e dessa forma ter uma certa "ligação ancestral" com os fundadores - esses quatro festivais são denominados, na Wicca, de Grandes Sabás.
Continua...
Bibliografia: Curso de Wicca - Mito e Magia © Jan Duarte 2003/2004

quinta-feira, 3 de novembro de 2011


"Se você falar com os animais, eles irão falar com você.
E assim, vocês conhecerão um ao outro.
Se você não falar com eles, não os conhecerá...
...E aquilo que você não conhece, você teme.
... E aquilo que se teme, se destrói.”

O que é Xamanismo?
Léo Artése
Atualmente quando a maioria das pessoas ouvem a palavra xamanismo pensam em culturas indígenas americanas, outros reclamam por que não pajelança se estão no Brasil. Sempre considerado como um programa de índio. O xamanismo não se refere apenas à espiritualidade indígena. É certo que os indígenas foram os grandes responsáveis por manterem acessas as chamas da Medicina da Terra mas as práticas se originaram no homem primitivo, no paleolítico.
A palavra tem origem siberiana e não americana e é usada hoje como uma forma única para descrever as práticas no mundo todo. Ou seja, as práticas são universais, é um legado do Mundo Espiritual para a Humanidade. Não pode haver fronteiras.  
As raízes do xamanismo são arcaicas e alguns antropólogos chegam a pensar que elas recuam até quase tão longe quanto a própria consciência humana. As origens do xamanismo datam de 40.000 a 50.000 anos, na Idade da Pedra. Antropólogos têm estudado xamanismo nas Américas; do Norte, Central, Sul. Também na África, entre os povos aborígines da Austrália, Esquimós, Indonésia, Malásia, Senegal, Patagonia, Sibéria, Bali, Velha Inglaterra e ao redor da Europa, no Tibet onde o xamanismo Bon segue a linha do Budismo Tibetano, ou seja, em todos os lugares ao redor do mundo. Seus traços estão presentes nas Grandes religiões.
Pode–se considerar o xamanismo como a verdadeira arte de viver.
Os ensinamentos são baseados na observação da natureza e seus sinais: sol, lua, Terra, Água, Fogo, Ar, Animais, Plantas, Vento, Ciclos, etc…
A prática do xamanismo utiliza-se do trabalho com: ervas, direções sagradas, rituais, jornadas xamanicas, contato com natureza e seres espirituais, ritmos, danças e movimentos corporais, elementos básicos da natureza (água, terra, ar, fogo, cristais, pedras, argila, etc…), cirurgias espirituais e técnicas de cura e purificação dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, entre outras coisas. O xamanismo tem como objetivos básicos: reconectar o ser com sua sabedoria interior, conexão com a multidimensionalidade do ser humano, ancoragem do poder pessoal, conexão com seres espirituais, limpeza dos corpos físico e sutis, limpeza e harmonização de ambientes, harmonização plena do ser, conscientização do aspecto espiritual de cada um e de sua inter relação com a natureza e com o planeta a que pertence, ativação das habilidades de coragem, força e sabedoria para lidar com questões generalizadas , curas e prevenção de distúrbios e doenças.

O conceito básico da cura xamanica é que ” Ninguém cura o outro. A cura está dentro de cada um”.




quarta-feira, 26 de outubro de 2011



    Não posterei os exercícios, pois serão realizados no grupo de estudos. Uma religião natural baseada nas práticas de antigas religiões, especialmente a celta, mais em consonância com as forças da natureza.  Contudo, mais que ver os wiccans como membros de uma religião, é talvez mais certo vê-los como partilhando uma base espiritual da natureza e dos fenómenos naturais. Pois os wiccans não teem credo escrito a que os ortodoxos devam aderir, nem templos de pedra ou igrejas para adoração. Praticam  os rituais em parques, jardins, florestas, ao ar livre. “Somente uma regra há: Faça o que desejar! Sem mal nenhum causar!.”

"Wicca" é o nome de uma religião contemporânea neo-pagã, largamente popularizada pelos esforços de um funcionário publico reformado inglês chamado Gerald Brosseau Gardner. Gardner nasceu em The Glen, The Serpentine, Blundellands, perto de Liverpool, Inglaterra, numa família de classe média sendo um dos quatro irmãos e viveu com dois deles, Bob e Douglas. Gardner afirmava ter sido iniciado em 1939 numa tradição de bruxaria religiosa que ele acreditava ser uma continuação do Paganismo Europeu. Doreen Valiente mais tarde identificou aquela que iniciou Gardner como sendo Dorothy Clutterbuck no livro A Witches' Bible, escrito por Janet e Stewart Farrar em 2002. Esta identificação foi baseada em referências que Valiente se lembrava de Gardner fazer a uma mulher a quem ele chamava de "Old Dorothy". Ronald Hutton diz, no entanto, no livro Triumph of the Moon, que a Tradição Gardneriana era largamente inspirada em membros da Rosicrucian Order Crotona Fellowship e especialmente por uma mulher conhecida pelo nome mágico de "Dafo". O Dr. Leo Ruickbie, no livro Witchcraft Out of the Shadows (2004), analisou as evidências documentais e concluiu que Aleister Crowley teve um papel crucial ao inspirar Gardner a criar uma nova religião pagã.

Etimologia da palavra “WICCA

Gardner, nos dois livros sobre o assunto, refere-se à bruxaria como "Wicca", ou "A Arte". Em Inglês Arcaico, "Wicca" A palavra tem sua origem na raiz indo-européia "wikk-", significando "magia", "feitiçaria". O nome Wicca é o mais usado para denominar essa religião. Ela também é conhecida como Bruxaria, Feitiçaria, Antiga Religião e Arte dos Sábios, ou simplesmente, a Arte. Ele utilizou esta palavra porque em épocas remotas os "Bruxos" eram chamados as vezes por "wiccas" , os sábios.
Os Wiccans são uma religião da Natureza. Os seus rituais baseiam-se nas quatro estações; os seus simbolos representam a ligação da vida humana à Natureza. Não devemos ignorar as forças destrutivas da Natureza, pois são tão abençoadas e naturais como a lua cheia.
 As mulheres são iguais, se não superiores, aos homens. As mulheres na mitologia celta são invulgares. São inteligentes, poderosas guerreiras, sexualmente agressivas e lideres de nações.
Finalmente, devemos notar que wicca não está relacionada com adoração satanica. Esta está relacionada com a perseguição de "bruxas" pelos Cristãos, especialmente durante a Inquisição. O espirito da Inquisição, contudo, vive nos corações de muitos devotos cristãos que continuam a perseguir wiccans, entre outros, como adoradores do diabo. Os modernos inquisidores não queimam pessoas. Em vez disso tentam abolir o Dia das Bruxas, livros infantis que falem de bruxas, e qualquer nome, numero ou simbolo que os cristãos associem a satanás. São as modernas vitimas de rituais satanicos tão iludidas como os caçadoares das bruxas de hoje caçadas pelos cristãos ao longo dos séculos.  Se há cristãos a serem abusados por adoradores do diabo, os seus abusadores não pertencem à “conspiração” religiosa internacional conhecida como Wicca.

                                            Princípio Feminino ou Grande Mãe

Grande Mãe representa a Energia Universal Geradora, o Útero de Toda Criação. Na wicca, a Deusa se mostra com três faces: a Virgem (lua crescente), a Mãe (lua cheia) e a Velha Sábia (lua minguante), sendo que esta última ficou mais relacionada a bruxa na imaginação popular. A Deusa Tríplice mostra os mistérios mais profundos da energia feminina, o poder da menstruação na mulher, e é também a contraparte feminina presente em todos os homens, tão reprimida pela cultura patriarcal!

Princípio Masculino ou Deus Cornífero

Da mesma forma que toda luz nasce da escuridão, o Deus, símbolo solar da energia masculina, nasceu da Deusa, sendo seu complemento, trazendo em si os atributos da coragem, pensamento lógico, fertilidade, saúde e alegria. Da mesma forma que o sol nasce e se põe todos os dias, o Deus nos mostra os mistérios da morte e do renascimento. Na wicca, o Deus nasce da Grande Mãe, cresce, se torna adulto, apaixona-se pela Deusa Virgem, fazem amor; a Deusa fica grávida, o Deus morre no inverno (no fim dele) e renasce novamente, fechando o ciclo do renascimento, que coincide com os ciclos da natureza e mostra os ciclos da nossa própria vida.

                                                   A Ímanência

Imanência, um dos princípios vitais da Wicca, é o conceito da interligação e conexão existente entre todas as coisas. É a consciência de que cada um de nós é sagrado e a manifestação da Deusa.
O princípio imanente assegura que tudo é sagrado, por isso tudo merece respeito. Todos nós estamos interligados por uma mesma teia e por isso faz-se necessário vivermos nossa espiritualidade de forma equilibrada, compreendendo o que é viver com integridade e responsabilidade para com a natureza e os seres humanos. A Wicca é uma religião de caráter libertário, mas em nenhum momento podemos esquecer que ela encoraja a responsabilidade ambiental, social e espiritual.
A imanência nos lembra que aquilo que afeta um ser afeta todos os seres. Por isso, um desequilíbrio ecológico, social ou espiritual vivido isoladamente não é necessariamente isolado e atinge o mundo em sua totalidade.
O princípio da imanência assegura que a Deusa está em tudo. Ela é onipresente na vida e em cada um de nós. A Wicca não vê a divindade como algo a parte da Natureza ou da vida cotidiana. A Deusa é o mundo, a Terra e todas as coisas que existem:


                                                A Terra é o corpo Dela
                                               O Ar, Seu sopro 
                                               Fogo, Seu Espírito 
                                               E a Água, Seu útero vivo.


 Os wiccas praticam os seus rituais sozinhos (bruxos solitários) ou em pequenos grupos de pessoas chamado de coven. Um coven possui 13 membros (na maioria das tradições existentes admite-se 14 membros, sendo o décimo-quarto o mais novo do grupo, responsável por preparar os incensos, acender o fogo, colher ervas e outras pequenas tarefas). O coven é dirigido por uma Alta Sacerdotisa e/ou um Alto Sacerdote que gerenciam os trabalhos de adoração à Deusa, os trabalhos mágicos e cerimônias como os sabás e esbás. Uma explicação para que o coven seja formado por treze pessoas, é que cada uma representaria um mês do ano, pois nas sociedades matriarcais o ano segue o calendário lunar de 13 meses de 28 dias, mais um dia, no total 365 dias. Daí vem a expressão "um ano e um dia", pois, quando é iniciada, a pessoa estuda durante esse período para depois confirmar seus votos. Isto em algumas Tradições.
O coven reúne-se basicamente para a celebração de um sabá ou para um esbá. Esbá é uma reunião mensal que se realiza treze vezes ao ano durante a lua cheia, que recebe o nome de esbá. Geralmente no esbá trocam-se idéias, realizam-se rituais especiais, agradecem-se a Deusa e ao Deus, realizam-se trabalhos de cura e proteção.
Os wiccas celebram oito sabás anuais, destacando as transições entre as estações. Os quatro grandes sabás são Candlemas, Beltane, Lammas e Samhain, e os menores são
Equinócio da Primavera e Equinócio do Outono, e Solstício de Verão e Solstício de Inverno.




A Roda do Ano
Representada pelos oito sabás, tem por objetivo sincronizar a nossa energia com as estações do ano, ou seja, com os ciclos do planeta Terra e do Universo. Para algumas tradições da wicca, o ano se inicia no solstício de inverno. Outras consideram a noite de 31 de outubro como o início do ano. Esta data é conhecida como Halloween ou Dia das Bruxas, mas seu nome tradicional é Samhain, que significa "sem sol", referindo-se ao tempo de inverno. Esta época também é correspondente ao ano-novo judaico
No solstício de inverno ocorre o nascimento/renasci-mento do Deus; nos sabás da primavera, do verão e do outono, ele tem o Seu crescimento, puberdade e maturidade; e Sua morte no sabá de Samhain. Após a morte ele retorna ao ventre da Deusa Mãe até o solstício do inverno seguinte, quando renasce. Este é o ciclo mítico do nascimento-morte-renascimento que se repete em todos nós todos os anos. E a Deusa, em Seus aspectos, é adorada durante todo o ano. Outras tradições preferem adorar a Deusa durante os sabás da primavera e verão, e o Deus durante os sabás do outono e do inverno.


domingo, 23 de outubro de 2011

WICCA - Continuação.




Saudações a todos!
 Dando contibuidade ao nosso tema central que é a Wicca. Mas afinal de contas caro leitor o que é Wicca?  Para descobrirmos vamos examinar seus principios, suas origens em fim faremos uma viagem magicka na redescoberta, desta tão falada atualmente e mesmo ainda assim desconhecida.
É necessário nos direcionarmos ao centro da Wicca:

A DEUSA



O período neolítico não conhecia deuses - vigorava o matriarcado, com a DeusaMãe. O conceito de paterno inexistia e a moral, a ciência e a religião ocupavam a mesma esfera. Com a instituição do patriarcado, o cálice foi derramado através da espada, relegando o elemento feminino. Com o fim da era de Peixes, tipicamente masculina, o reinado feminino retorna em Aquário para resgatar Sofia, o arquétipo da Sabedoria. Assim como o Taoísmo primitivo, todas as religiões ancestrais visualizavam o Universo como uma generosa Mãe. Nada mais natural: não é do ventre delas que saímos? De acordo com o mito universal da Criação, tudo teria saído dela. Entre os egípcios, era chamada de
Nuit, a Noite. "Eu sou o que é, o que será e o que foi." Para os gregos era Gaia - Mãe de tudo, inclusive de Urano, o Céu. Entretanto, ela não era apenas fonte de vida, como também senhora da morte. O culto a Grande- Mãe era a religião mais difundida nas sociedades primitivas. Descobertas arqueológicas realizadas em sítios neolíticos testificam a existência de uma sociedade agrícola pré-histórica bastante avançada, na região da Europa e Oriente Médio, onde homens e mulheres viviam em harmonia e o culto à Deusa era a religião. Não há evidências de armas ou estruturas defensivas, onde se conclui que esta era uma sociedade pacífica. Também não há representações, em sua arte, de guerreiros matando-se uns aos outros, mas pinturas representando a natureza e uma grande quantidade de esculturas representando o corpo feminino. Essas esculturas também foram encontradas em Creta, datadas de 2.000 a.C. Na sociedade cretense as mulheres exerciam as mais diversas profissões, sendo desde sacerdotisas até chefes de navio. Platão conta que nesta sociedade, a última matrifocal de que se tem notícia, toda a vida era permeada por uma ardente fé na natureza, fonte de toda a criação e harmonia. Segundo historiadores, a passagem para o patriarcado deu-se em várias esferas. Na velha Europa, a sociedade que cultuava a Deusa foi vítima do ataque de poderosos guerreiros orientais - os kurgans. O Cálice foi derrubado pelo poder da Espada. Outro fator decisivo para tal transformação foi o crescimento da população, que levou as sociedades arcaicas à "domesticação da terra". Os homens tinham que dominar a natureza, para obrigá-la a produzir o que queriam. Com a descoberta de que o sêmen do homem é que fecunda a mulher (acreditava-se que esta gerasse filhos sozinha), estabeleceu-se o culto ao falo, sendo este difundido pela Europa, Egito, Grécia e Ásia, atingindo o seu ápice na Índia. Com o advento do monoteísmo, e patriarcado - e a conseqüente dominação da mulher -o culto ao falo estabeleceu-se em definitivo. "O monoteísmo não é apenas uma religião, é uma relação de poder. A crença numa única divindade cria uma hierarquia - de um Deus acima dos outros, do mais forte sobre o mais fraco, do crente sobre o não-crente."
Sempre retratada através da Virgem, de Madalena, Hera, Ísis, Deméter, Atena, Diana, a Lua,a Natureza, Hécate, Afrodite, Lilith e tantas outras, a figura da Deusa vem ressurgindo, cada vez mais e com mais força.

                                                                      A DEUSA
     Entre os Mundos
Os encargos da Deusa,
Ouça as palavras da grande mãe, que, em tempos idos, era chamada de Ártemis,
 Dione, Melusina, Afrodite, Ceridwen, Diana, Arionrhod, Brígida e por muitos outros nomes:
“ Quando necessitar de alguma coisa, uma vez no mês, e é melhor que seja quando
 a lua estiver cheia, deverá reunir-se em algum local secreto e adorar o meu espírito
 que é a rainha de todos os sábios. Você estará livre da escravidão e, como um sinal
 de sua liberdade, apresentar-se-á perante min nu em meus ritos. Cante, festeje,
 dancce, faça
música e amor, todos em minha presença, pois meu é o êxtase do espírito e minha também é a alegria sobre a terra. Pois minha lei é a do amor para todos os seres.
Meu é o segredo que abre a porta da juventude e minha é a taça do vinho da vida,
que é o caldeirão de Ceridwen, que é o gral sagrado da imortalidade. Eu concedo a sabedoria do espírito eterno e, além da morte, dou a paz e a liberdade e o reencontro
 com aqueles que se foram antes. Nem tampouco exijo algum tipo de sacrifício,
pois saiba, eu sou a mãe de todas as coisas e meu amor é derramado sobre a terra.”
Atente para as palavras da deusa estelar, o pó de cujos pés abrigam-se o sol, a lua, as estrelas, os anjos, e cujo corpo envolve o universo:
“ Eu que sou a beleza da terra verde e da lua branca entre as estrelas e os mistérios da água, invoco seu espírito para que desperte e venha até a mim.
Pois eu sou o espírito da natureza que dá vida ao universo. De mim todas as
 coisas vêm e para mim todas devem retornar. Que a adoração a mim esteja
 no coração que rejubila, pois, saiba, todos os atos de amor e prazer são
meus rituais. Que haja beleza e força, poder e compaixão, honra e humildade,
 júbilo e reverência, dentro de você. E você que busca conhecer-me, saiba
que a sua procura e ânsia serão em vão, a menos que você conheça o
 mistério: pois se aquilo que busca, não se encontrar dentro de você, nunca
o achará fora de si. Saiba, pois, eu estou com você desde o início dos tempos,
 e eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo.”

Hoje, no mundo atual, reconhecemos a Deusa, antiga e primitiva: a primeira
das deidades; padroeira da Idade da Pedra e suas caçadas e dos primeiros semeadores; sob cuja orientação os rebanhos foram domesticados, as ervas curativas
 logo descobertas; a partir de cuja imagem as primeiras obras de arte foram
criadas; para quem as pedras foram levantadas; que era a inspiração para
canções e poesia. Ela é a ponte, pela qual podemos cruzar os abismos dentro
de nós mesmos, que foram criados pelo condicionamento social, e nos colocar
 em contato, novamente, com os nossos potenciais perdidos. Ela é o navio, no
qual navegamos nas águas do self profudondo, explorando os mares
desconhecidos dentro de nós. Ela é a porta, através da qual passamos para
o futuro. Ela é o caldeirão, no qual, os que fomos puxados de um lado
para outro, podemos cozinhar em fogo brando, até que sejamos novamente
um todo. Ela é a passagem vaginal, através da qual renascemos.
Na Arte, não acreditamos na Deusa: ligamo-nos a Ela, através da lua, das
estrelas, do mar, da terra, das árvores, animais e outros seres humanos,
através de nós mesmos. Ela está aqui. Ela está dentro de todos nós. Ela é o
círculo pleno: terra, ar, fogo, água e essência; corpo, mente, espírito, emoções, transformações.
A Deusa é a primeira em toda a terra, o mistério, a mãe que alimenta e dá toda a vida.
 Ela é o poder da fertilidade e geração; o útero e também a sepultura que recebe,
o poder da morte. Tudo vem dela, tudo retorna para ela. Sendo terra, também é a
 vida vegetal; as árvores, as ervas e os grãos que sustentam a vida. Ela é o corpo e
 o corpo é sagrado. Útero, seios, barriga, boca, vagina, pênis, osso e sangue;
nenhuma parte do corpo é impura, nenhum aspecto dos processos vitais é maculado
 por qualquer conceito de pecado. Nascimento, morte e decadência, são partes
 igualmente sagradas do ciclo. Se estamos comendo, dormindo, fazendo amor ou eliminando excessos do corpo, estamos manifestando a deusa.
A Deusa da Terra é também o ar e o céu, a celestial Rainha do Céu, A Deusa Estelar, regente de todas as coisas sensíveis mas invisíveis: do conhecimento,
da mente e da intuição. Ela é a musa, que desperta todas as criações do
 espírito humano. Ela é a amante cósmica, a estrela da manhã e do entardecer,
 Vênus que surge nos momentos de amor. Bela e irradiante, ela jamais pode
ser
 dominada ou penetrada; a mente é conduzida cada vez mais adiante na ânsia
de conhecer o desconhecido, de falar o inexprimível. Ela é a inspiração que
 vem no momento da introspecção.
A Deusa Celestial é vista como a lua, que está associada aos ciclos mensais de
sangramento e fertilidade das mulheres. A mulher é a lua terrena; a lua é o ovo celestial,
vagando no útero do céu, cujo sangue menstrual é a chuva que fertiliza e o orvalho que
 refresca; aquela que governa as marés dos oceanos, o primeiro ventre da vida na terra. Portanto, a lua é também a Senhora das Águas: das ondas do mar, correntes, nascentes,
 dos rios que são as artérias da Mãe Terra; dos lagos, poços profundos e lagoas
 escondidas, dos sentimentos e emoções, que nos tomam como ondas do mar.
A Deusa da Lua possui três aspectos: crescente é a donzela; cheia, é a Mãe; minguante, é a anciã. Parte do treinamento de cada iniciado implica períodos
de meditação sobre a Deusa em seus vários aspectos. Não disponho de
espaço para incluir todos eles, mas exemplificarei aqui com as meditações
 dos três aspectos da lua:
CONTUNUA...


Bibliografia:

Caudiney Prieto,

 Wicca a Religião da Deusa.
 Starhawk,
A Dança Cósmica das Feiteceiras.
O Encargo da Deusa foi escrito originamente por Doreen Valiente. Ele aparece sob diversas formas; nesta versão, fiz alterações ligeiras na linguagem. Ele é muitissimo apreciado pelos bruxos por expressar perfeitamente nosso conceito da Deusa.